31 de jan. de 2011

Planejamento Pastoral

Se é preciso saber o caminho para chegar ao destino, também os cristãos católicos tem o sagrado dever de olhar para sua realidade, identificar suas necessidades da comunidade, na dimensão espiritual e humana, e traçar o rumo para a caminhada de fé.
O Magistério da Igreja insiste na necessidade de planejamento - um planejamento com alma e coração - para promover o crescimento da fé das comunidades. Entendendo-se a fé na relação com Deus e o irmão.
Como planejar:
Tudo começa pela análise da realidade sob diversos aspectos: religioso, sócio-econômico, geográfico, histórico;
Nesta realidade identifica-se as necessidades de ordem espiritual e humana e as possibilidades de dar uma resposta considerando um horizonte de curto, médio e longo prazo.
Não perder de vista o centro da fé cristã: Cristo! Todo o projeto eclesial deve contemplar a caminhada do cristão na fé: A experiência de Deus, a conversão e a vocação missionária.
Considerando estes pontos, elabora-se um objetivo preciso, define-se as metas concretas a serem alcançadas, estabelece-se o tempo da realização, o responsável, a avaliação contínua do projeto e como ele se articula com todo o processo pastoral, isto é, como se integra no planejamento global de uma comunidade.
Planejar no âmbito de uma comunidade de fé não é um planejar meramente técnico, mas motivado pela missão. Este diferencial norteia os processos e, à luz da fé cristã, inclui todos. Esta inclusão não se refere somente ao "destinatário" do projeto, mas, sobretudo, ao "partícipe", ao protagonista da vida da comunidade.
Deve-se descobrir, como na comunidade de Jerusalém, quais são os carismas da comunidade e integrar cada um de acordo com o dom que recebeu de Deus.
Um planejamento pastoral é um planejamento movido pelo Espírito Santo. Por este motivo, não há planejamento efetivo sem comunhão e oração. Comunhão, no entanto, não pode ser entendido como total unanimidade, mas como consenso necessário para uma decisão que convença e motive toda a comunidade a se envolver na execução do referido projeto. Decisões estas pautadas na Palavra do Evangelho, libertos de interesses e desejos pessoais.
É comum encontrar na comunidade pessoas que questionam o planejamento pastoral sob o pretexto de que o mais importante é a prática. São atitudes que denunciam a fuga do comprometimento com a fé abraçada. Evidente que o assunto não é impressionar com projetos bem elaborados, mas não praticados. Pretende-se planejamento sério, com constante avaliação e, sempre que necessário, novos impulsos para que se alcançar o propósito tomado.
O autêntico planejamento pastoral é a oportunidade de a comunidade viver de forma intensa sua responsabilidade, seu ser régio, sacerdotal e profético.
Geni Maria Hoss, Doutoranda em Teologia Prática.

O que importa o caminho para quem não sabe aonde vai?

Para chegar ao destino é preciso saber o caminho. É necessário que se tracem os passos para perseguir o fim que se deseja alcançar. Nas voltas da vida é comum encontrar que vivem o momento e para o momento, sem nenhum rumo claro a seguir. Geralmente são pessoas que facilmente desanimem e sofrem de depressão.
Para o cristão, é extremamente importante que identifique o projeto de Deus e se empenhe todas as forças para realizá-lo. A dimensão pessoal do projeto de Deus constitui a razão de ser pessoal, o sentido de vida, a dimensão comunitária, as relações de amor e solidariedade. Elas convergem para o mesmo fim: a plenitude de vida. Não há comunidade sem identidades pessoais e não há pessoa plenamente feliz sem relações interpessoais bem vividas.
O que importa o caminho para quem não tem rumo definido? Pare e pense!

Uma ação - ação eclesial

Muito se tem falado sobre a Teologia Prática e seu objeto. O que distingue a ação da Igreja das demais dimensões da sociedade? O que torna a ação uma ação eclesial? Não será toda ação humana também uma ação da Igreja? A ação da Igreja nasce na Eucaristia e converge para a Eucaristia. É a presença de Cristo, é a comunhão com Cristo que define uma ação como ação eclesial cristã. É uma ação da comunidade para a comunidade, mas não no vazio ativista e, sim, trata-se de uma ação pautada na mística do Evangelho. Numa sociedade multicultural, mais do que proseletismo, a missão consiste em agir e fazer-se presente com sentido à luz dos valores do Evangelho.

A comunhão no início da Igreja

Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações. De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações. Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. Unidos de coração freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação. (At 2, 42-47).