Se é preciso saber o caminho para chegar ao destino, também os cristãos católicos tem o sagrado dever de olhar para sua realidade, identificar suas necessidades da comunidade, na dimensão espiritual e humana, e traçar o rumo para a caminhada de fé.
O Magistério da Igreja insiste na necessidade de planejamento - um planejamento com alma e coração - para promover o crescimento da fé das comunidades. Entendendo-se a fé na relação com Deus e o irmão.
Como planejar:
Tudo começa pela análise da realidade sob diversos aspectos: religioso, sócio-econômico, geográfico, histórico;
Nesta realidade identifica-se as necessidades de ordem espiritual e humana e as possibilidades de dar uma resposta considerando um horizonte de curto, médio e longo prazo.
Não perder de vista o centro da fé cristã: Cristo! Todo o projeto eclesial deve contemplar a caminhada do cristão na fé: A experiência de Deus, a conversão e a vocação missionária.
Considerando estes pontos, elabora-se um objetivo preciso, define-se as metas concretas a serem alcançadas, estabelece-se o tempo da realização, o responsável, a avaliação contínua do projeto e como ele se articula com todo o processo pastoral, isto é, como se integra no planejamento global de uma comunidade.
Planejar no âmbito de uma comunidade de fé não é um planejar meramente técnico, mas motivado pela missão. Este diferencial norteia os processos e, à luz da fé cristã, inclui todos. Esta inclusão não se refere somente ao "destinatário" do projeto, mas, sobretudo, ao "partícipe", ao protagonista da vida da comunidade.
Deve-se descobrir, como na comunidade de Jerusalém, quais são os carismas da comunidade e integrar cada um de acordo com o dom que recebeu de Deus.
Um planejamento pastoral é um planejamento movido pelo Espírito Santo. Por este motivo, não há planejamento efetivo sem comunhão e oração. Comunhão, no entanto, não pode ser entendido como total unanimidade, mas como consenso necessário para uma decisão que convença e motive toda a comunidade a se envolver na execução do referido projeto. Decisões estas pautadas na Palavra do Evangelho, libertos de interesses e desejos pessoais.
É comum encontrar na comunidade pessoas que questionam o planejamento pastoral sob o pretexto de que o mais importante é a prática. São atitudes que denunciam a fuga do comprometimento com a fé abraçada. Evidente que o assunto não é impressionar com projetos bem elaborados, mas não praticados. Pretende-se planejamento sério, com constante avaliação e, sempre que necessário, novos impulsos para que se alcançar o propósito tomado.
O autêntico planejamento pastoral é a oportunidade de a comunidade viver de forma intensa sua responsabilidade, seu ser régio, sacerdotal e profético.
Geni Maria Hoss, Doutoranda em Teologia Prática.
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