"Todas as afirmações da centralidade do ser humano na criação não
representam o isolamento e sobreposição inconsequente, mas justamente a sua
integração no todo do meio ambiente, por reconhecer sua responsabilidade derivada
da ordem da criação. Ser outro não significa ser fora de, mesmo na ordem da fé uma
vez que o próprio Criador colocou um modo de ser e estar no mundo
interdependente e complexo na sua criação. É preciso “respeitar as leis inscritas na
criação e as relações que derivam da natureza das coisas é princípio de sabedoria e
fundamento da moral”*
. As transgressões desta ordem estão na raiz do
desequilíbrio ecológico em todas as esferas da vida, em última análise, uma
transgressão contra o próprio Criador. A ordem, no entanto, constitui-se de forma
complexa, ou seja, não é ao todo fechada, desafiando o ser humano na sua tarefa
de partícipe dos dinâmicos processos que sustentam a vida no planeta. Por isso,
neste sentido as demandas em relação à sustentabilidade do planeta são apelo para
conversão. Tudo o que atenta ao projeto original de Deus, manifesto pela ordem
intrínseca das coisas criadas, requer reconciliação com Deus que tudo criou com um sentido próprio e, ao ser humano, confiou os cuidados pelo jardim. Um jardim que
tem sua ordem própria e está sempre aberto para o aperfeiçoamento. O senhorio
desejado por Deus, nesta ordem, trata de uma relação ética e respeitosa e
contribuição efetiva para o equilíbrio ecológico."
http://genihoss.blogspot.com.br/2015/12/fe-e-sustentabilidade.html
*CATECISMO da Igreja Católica, 1999. n. 354
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