12 de nov. de 2017

Cultura do descarte!

"O sistema industrial, no final do ciclo de produção e consumo, não desenvolveu a capacidade de absorver e reutilizar resíduos e escórias. Ainda não se conseguiu adotar um modelo circular de produção que assegure recursos para todos e para as gerações futuras e que exige limitar, o mais possível, o uso dos recursos não renováveis, moderando o seu consumo, maximizando a eficiência no seu aproveitamento, reutilizando e reciclando-os. A resolução desta questão seria uma maneira de contrastar a cultura do descarte que acaba por danificar o planeta inteiro, mas nota-se que os progressos neste sentido são ainda muito escassos" (Papa Francisco, Laudato Si n. 22).

Já pensou viver com o mínimo? Já pensou em usar um celular 'fora de moda'? Está difícil para se imaginar num mundo em que as coisas são recicladas. Quantas vezes as compras de vestuário não são motivadas pela necessidade, mas pela 'modinha' e de repente os guarda-roupas estão cheias de peças que nem são usadas... e quantas vezes ainda etiquetadas enquanto a gente corre para a próxima compra. Quantos sapatos são necessários para ser feliz? Já pensou em não esquecer de levar uma sacola para as compras do supermercado? O mercado segue a onda das demandas e também cria "necessidades desnecessárias" nas mentes dos clientes. É uma constante apelação, usando dos mais diversos artifícios, para conquistar pessoas que, por sua vez, caem nas armadilhas para comprar sempre mais.... E quantas vezes às custas do verdadeiramente necessário. Ou você nunca deixou de fazer algo de bom para a saúde por falta de dinheiro e ao mesmo tempo está com uma série de coisas desnecessárias? Conte o número dos seus sapatos e de seus livros, depois conclua... As gerações do descarte precisam aprender a reutilizar... No caso do guarda-roupas, com criatividade dá para "atualizar" aquele velho vestido e fazer dele uma "modinha" bem bacana. Calçados, para que tantos? Adquira alguns poucos básicos que se adequem às diferentes circunstâncias e combinem com diferentes tipos de vestuário. Faça um teste e em poucos meses vai perceber quão leve a gente fica quando os armários estiverem mais vazios e te tirarem menos tempo para mantê-los sempre em ordem e as lavagens de roupa se tornarem mais simples. Sabe aquela lavagem de roupas guardadas, emboloradas por falta de uso? Sumiram! E você poderá usar este tempo para dar uma caminhada, jogar conversa fora com a vizinha.. Ah, você conhece sua vizinha? Provavelmente você tem uma e que gostaria de conhecer a sua também....

Suicídio - um caso de saúde pública

 Dr.ª Geni Maria Hoss
Teóloga, bioeticista, professora, tradutora
disponível em: genihoss.blogspot.com
 
"Embora certos condicionalismos psicológicos, culturais e sociais possam levar a realizar um gesto que tão radicalmente contradiz a inclinação natural de cada um à vida, atenuando ou anulando a responsabilidade subjectiva, o suicídio, sob o perfil objetivo, é um ato gravemente imoral, porque comporta a recusa do amor por si mesmo e a renúncia aos deveres de justiça e caridade para com o próximo, com as várias comunidades de que se faz parte, e com a sociedade no seu conjunto" (João Paulo II, Evangelium Vitae, n. 66).

Um dia encontrei uma mãe desesperada num corredor de hospital. Ela havia "brigado" com a sua filha, 14 anos, e esta saiu alterada de casa e, ao atravessar a rua, foi atropelada. Infelizmente o caso foi fatal. A mãe começou a cogitar suicídio e se culpava por isso. Outro motivo, a família era cristã, para tal desespero era que a filha poderia não alcançar a salvação.
Era, supostamente, mais um dos milhares de caso de suicídio. No entanto, mesmo que haja algum sinal de que pode ser suicídio, neste caso, pode ter sido um acidente. Para que se possa classificar como suicídio, é preciso que se tenham elementos claros o suficiente para tal. Também não é direito de ninguém julgar um suicida. Objetivamente é um atentado contra a vida, mas há muitas condições que diminuem ou até mesmo suprimem a responsabilidade.
Hoje, o suicídio não pode mais ser visto como uma exceção... A frequência com que as pessoas tiram sua própria vida já se tornou uma questão de saúde pública. As causas são diversas e muitas vezes tão sutis que somente depois do fato consumado se começam a identificar os indícios do que poderia vir a acontecer. Precisamos olhar com mais carinho para as possíveis condições e causas: estar atentos às questões de saúde mental, educar as crianças desde a mais tenra idade para o fortalecimento pessoal diante das adversidades da vida, valorizar a vida através de uma contínua reflexão e educação para o sentido da vida ancorado em valores maiores.
O excesso de ofertas que promovem bem-estar e prazer produz um vazio existencial, caso o sentido da vida se reduza ao desfrute dos benefícios imediatos de bens temporais. É preciso projetar uma luz para além daquilo que hoje nos satisfaz e amanhã fenece. O sentido último da vida precisa sustentar-se num bem maior e duradouro. Nem mesmo as pessoas que estão ao nosso lado podem ser tidas como este bem último, também elas são frágeis e hoje podem te dar suporte e amanhã podem não mais estar entre nós. 
Não importa qual é o nosso valor maior, qual é a nossa fé, mas é relevante que tenhamos referência em uma força superior. 
Para os cristãos, toda a força e sentido de vida é iluminado pela fé na ressurreição em Cristo. O que é passageiro tem seu valor passageiro. Nem tudo o que é passageiro é insignificante, mas tem seu valor delimitado no tempo e no espaço. A fé na ressurreição em Cristo, no entanto, dá um sentido a partir de um horizonte seguro.

7 de nov. de 2017

A unidade é fruto do Espírito Santo!

Dr.ª Geni Maria Hoss

 

"O Espírito Santo constrói a comunhão e a harmonia do povo de Deus. Ele mesmo é a harmonia, tal como é o vínculo de amor entre o Pai e o Filho. É Ele que suscita uma abundante e diversificada riqueza de dons e, ao mesmo tempo, constrói uma unidade que nunca é uniformidade, mas multiforme harmonia que atrai" (Evangelii Gaudium n. 117).


A unidade é fruto do Espírito Santo! Os discursos eloquentemente articulados sobre a diversidade, muitas vezes, esbarram na primeira oportunidade em que se depara com o diferente. Sem o Espírito Santo, o velho discurso carece de coerência na prática. Por isso, mesmo não é de se admirar quando em meios pretensamente defensores da diversidade existe uma verdadeira digladiação recíproca entre diferentes pensares. Tipo "diversidade, sim, enquanto sua opinião se submeta à minha!".  E por que há ainda entre cristãos, e por que não dizer entre teólogos, tanto desrespeito pelo diferente? Pode ser que o Espírito Santo os inspirasse a tratar o outro como o menos inteligente só porque defende ideias diferentes? Não, este não é o Espírito Santo! Trata-se de uma confusão entre a arrogância e a força que vem do alto. O Espírito Santo não é um objeto a ser usado a favor das próprias ideias, mas uma força unificadora e santificante que ilumina de forma a fazer reconhecer, em primeiro lugar, as próprias limitações. Se é o Espírito Santo, a força e santificante e unificadora, se for a própria arrogância, a força e destruidora, mas que se diga, destruidora de si próprio, porque a opinião alheia pode, sim, ser diferente, mas julgar-se superior, ah, isso sim é destruidor.

27 de out. de 2017

Mulher GG - Genitora e Gestora

 Dr.ª Geni Maria Hoss
Teóloga e bioeticista
 
"A Igreja reconhece a indispensável contribuição da mulher na sociedade, com uma sensibilidade, uma intuição e certas capacidades peculiares, que habitualmente são mais próprias das mulheres que dos homens. Por exemplo, a especial solicitude feminina pelos outros, que se exprime de modo particular, mas não exclusivamente, na maternidade. Vejo, com prazer, como muitas mulheres partilham responsabilidades pastorais juntamente com os sacerdotes, contribuem para o acompanhamento de pessoas, famílias ou grupos e prestam novas contribuições para a reflexão teológica. Mas ainda é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja. Porque 'o gênio feminino é necessário em todas as expressões da vida social; por isso deve ser garantida a presença das mulheres também no âmbito do trabalho' e nos vários lugares onde se tomam as decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais" (Evangelii Gaudium n. 103).

O respeito pela mulher considera essencialmente sua maneira própria de ser. Respeitá-la à medida em que se adapta e assume outros modos de ser não é respeito e, sim, reforço de preconceitos. Para ser mulher, não é preciso abdicar da beleza da maternidade, mas também sua missão no mundo não pode ser reduzida a ela. Ademais, é preciso entender que a própria maternidade não se reduz a geração de filhos biológicos, mas é própria do seu gênio que acolhe e cuida da vida. O olhar próprio da mulher é essencial para o equilíbrio da sociedade. O mundo carece de sua perspicácia de percepção para colocar o ser humano no centro do cuidado da vida. A intuição natural para que é essencial para o desenvolvimento humano a faz protagonista no campo da vida. A Igreja e a sociedade precisam desta presença feminina de forma ativa. A sua habilidade é perfeitamente compatível com a tomada de grandes decisões. Por isso, não há fundamento a sua quase ausência em alguns campo de direção. Mais uma vez: a gestão não é coisa própria de um ou outro, ou homem ou mulher, mas da colaboração de ambos, podendo perfeitamente a mulher estar à frente de equipes de gestão. O importante é entender as peculiaridades de cada um e colocá-las a serviço do todo.